A história da Cerveja se confunde com a história da humanidade, indícios mostram que a cerveja nasceu região da Mesopotâmia (Atualmente Iraque, região entre os rios Tigres e Eufrates) onde a cevada cresce em estado selvagem, no Oriente Médio ou no Egito. Prova disso é que em meados do século XIX arqueólogos que cavavam tumbas de faraós encontraram entre outras coisas vasos com resquícios de cevada.
Antigamente o homem pré-histórico abandonou a vida nômade e começou a desenvolver as primeiras técnicas de agricultura, cultivando grãos. Os primeiros campos de cultura de cereais surgiram em 9.000 a.C. na Ásia Ocidental. A partir disso surgiu a lenda que o homem deixou a cultura nômade devida a necessidade de se produzir pão e cerveja.
Reza a lenda que em algum momento da história, um grupo de agricultores tenha armazenado a colheita em vasos, para uso posterior. Uma chuva tratou de umedecer a colheita, que em seguida foi colocada para secar. Essa porção ficou em contato com o ar e foi atacada por micro-organismos, que deu inicio ao processo de fermentação, que transforma o açúcar em álcool. Surgindo assim a Cerveja.
Existem muitos registros tanto em linguagem coneiforme como em hieróglifos, nos mostram que por volta de 6.000 a.C. quando o homem começou a desenvolver cidades, a produção de cerveja já era uma atividade bem desenvolvida e organizada. Em documentos antigos, a cerveja aparecia como moeda de troca.
Segundo o antropólogo Alan D. Eames (1947-2007), conhecido mundialmente como o "Indiana Jones da Cerveja", tem uma teoria que a cerveja é mais importante até mesmo que o pão para o criação e estabelecimento da sociedade civilizada.
Em 1913, o também arqueólogo e linguista checo Badrich Hrozny decifrou algumas tábuas com registros comprovando que, na região entre os rios Tigres e Eufrates - hoje o Iraque - os sumérios consumiam uma bebida chamada sikaru. Essa bebida servia para serem utilizadas como remédios, pagar os trabalhadores e oferecida aos Deuses, isso à 4.000 a.C.
Por volta de 2.300 a.C. os chineses produziam uma bebida chamada de tsiou, cerveja de painço, que era oferecida aos ancestrais.
Em 1.730 a.C. foi escrito no Império Mesopotâmico, o Código de Hamurábi, onde um de seus artigos previa que o cervejeiro que produzisse uma cerveja intragável, seria condenado a morte por afogamento na sua própria bebida. Outro artigo, previa que a venda de cerveja deveria ser paga apenas com grãos de cereais.
Na sociedade babilônica o cervejeiro era um homem de reputação, dispensado do serviço militar sob a condição de suprir o exercito com sua cerveja. Nos bordéis as prostitutas produziam sua própria cerveja para darem aos clientes. Um provérbio da babilônia dizia: "Coma o pão, pois este pertence à vida; beba a cerveja como um costume de vida."
3.400 a.C. o mais antigo registro de uma cervejaria foi encontrado em Tebas (Egito), nessa época eram fabricados dois tipos de cervejas, "cerveja nos notáveis" e "cerveja de Tebas". Acreditava-se que 1.300 anos antes da construção da Esfinge, Osíris - Deus da Mitologia egípcia já produzia sua cerveja. Porém o grande centro produtor de cerveja da história foi a cidade de Pelesium (atual Port-Said), no Egito. Nessa época os egípcios produziam uma cerveja com o nome de zythum. As suaves eram destinadas aos pobres, já as aromatizadas com gengibre, tâmara e mel, ficavam para os nobres. Eles ainda utilizavam essa bebida em banhos, para tratamento da pele e ainda era indispensável em cerimônias fúnebres. Ainda consta que os egípcios gostavam tanto da bebida que seus mortos eram enterrados com algumas jarras cheias de cerveja
Os gregos conheceram a cerveja dos egípcios que por sua vez passaram o conhecimento aos romanos, mas a bebida não era considerada boa e só era recomendada para tratamento médico, pelo Pedáneo Dioscórides - fundador da Farmacognosia.
Como os gregos e romanos eram povos conquistadores e não gostavam de cerveja, gerou uma influência negativa da cultura cervejeira pelo mundo a fora. Isso fez da cerveja uma bebida mais barata e consumida entre os pobres e bárbaros.
Difusão da Cultura Cervejeira
Romanos
Mesmo com a rejeição da cerveja, em Roma, a bebida passou a ser bem popular, principalmente por causa do seu baixo preço. Por isso a bebida passou a gerar problemas de inflação e de suprimentos, fato que fez, com que o Imperador Romano, Tito Flávio Dominicano (51-96), proibisse o cultivo de vinha em terrenos onde pudessem ser semeados cereais.
"Em 49 a.C., Júlio César, ao atravessar o Rio Rubicon, depois de mais uma conquista, brindou suas tropas com cerveja."
Trácios
Outro ponto de difusão da cerveja através da Mesopotâmia, se teve graças aos trácios, povo que dominava um território que hoje abrange: Trácia, Bulgária, Romênia, Moldávia, partes da Grécia, Macedônia, Sérvia e Turquia. Para esse povo a cerveja era considerada sagrada e acredita-se que tenha influenciado também os povos germânicos e celtas, devido aos movimentos migratórios.
Celtas
Os povos celtas habitaram boa parte da Europa, que hoje são: França, Portugal, Espanha, Bélgica, Inglaterra, Escócia e Irlanda. Eles foram muito importantes, exatamente por terem desenvolvido novas receitas e técnicas de fabricação de cerveja.
Plínio, o Velho autor romano, escreveu em Naturalis Historia, sobre celtas fazendo cerveja na Gália (França) e Galícia (Espanha), foi exatamente na Galícia que a bebida recebeu o nome que falamos hoje:cerevisia ou cervisia, em homenagem a Ceres, deusa da colheita e da fertilidade. A bebida consumida era alcoólica, fermentada a partir de cevada, ou de outros cereais, era aromatizada com mel e maturada em ânforas de barro ou em tonéis de madeira. Nessa época não se utilizavam ainda o lúpulo.
Nos quadrinhos de Asterix, o Gaulês (personagem criada em 1959 na França por Albert Uderzo e René Goscinny), cerevisia é constantemente citada como a bebida do dia-a-dia.

No ano de 301 o imperador Valério Dioclesiano (245-313), publicou o Edictum de Pretiis Rerum Venalium, que limitava os preços do trigo, cevada e da cerveja, além de outros produtos. Nessa documento já se fazia distinção entre cerivisia da Gália e zythos do Egito.
Durante o primeiro milênio da era cristã, os celtas e germânicos eram os povos que mais produziam e consumiam cerveja, a mesma era considerada sagrada, era uma recompensa aos heróis e uma oferenda aos deuses.
Outros Povos
Vários outros povos como: (escandinavos, asiáticos, africanos e os primitivos da américa) já faziam bebidas fermentadas a partir de cereais, que podemos considerar como cerveja.
Nesse período a cerveja tinha valor nutricional muito forte, muitas vezes servia como água, pois a mesma nem sempre era potável, e também era servida como remédio, misturando nela algumas especiarias.
Referência Bibliográfica:
Larousse da Cerveja