História

História

A História da Cerveja se confunde com a história do ser humano.

Trazemos para vocês algumas matérias sobre a história da cerveja desde o período medieval até os dias de hoje, além de trazer notícias e fatos atuais que entraram e entrarão para a história da cerveja.

18July

Período Medieval

 

A história da Cerveja se confunde com a história da humanidade, indícios mostram que a cerveja nasceu região da Mesopotâmia (Atualmente Iraque, região entre os rios Tigres e Eufrates) onde a cevada cresce em estado selvagem, no Oriente Médio ou no Egito. Prova disso é que em meados do século XIX arqueólogos que cavavam tumbas de faraós encontraram entre outras coisas vasos com resquícios de cevada.

Antigamente o homem pré-histórico abandonou a vida nômade e começou a desenvolver as primeiras técnicas de agricultura, cultivando grãos. Os primeiros campos de cultura de cereais surgiram em 9.000 a.C. na Ásia Ocidental. A partir disso surgiu a lenda que o homem deixou a cultura nômade devida a necessidade de se produzir pão e cerveja.

Reza a lenda que em algum momento da história, um grupo de agricultores tenha armazenado a colheita em vasos, para uso posterior. Uma chuva tratou de umedecer a colheita, que em seguida foi colocada para secar. Essa porção ficou em contato com o ar e foi atacada por micro-organismos, que deu inicio ao processo de fermentação, que transforma o açúcar em álcool. Surgindo assim a Cerveja.

Existem muitos registros tanto em linguagem coneiforme como em hieróglifos, nos mostram que por volta de 6.000 a.C. quando o homem começou a desenvolver cidades, a produção de cerveja já era uma atividade bem desenvolvida e organizada. Em documentos antigos, a cerveja aparecia como moeda de troca.

Segundo o antropólogo Alan D. Eames (1947-2007), conhecido mundialmente como o "Indiana Jones da Cerveja", tem uma teoria que a cerveja é mais importante até mesmo que o pão para o criação e estabelecimento da sociedade civilizada.

Em 1913, o também arqueólogo e linguista checo Badrich Hrozny decifrou algumas tábuas com registros comprovando que, na região entre os rios Tigres e Eufrates - hoje o Iraque - os sumérios consumiam uma bebida chamada sikaru. Essa bebida servia para serem utilizadas como remédios, pagar os trabalhadores e oferecida aos Deuses, isso à 4.000 a.C.

Por volta de 2.300 a.C. os chineses produziam uma bebida chamada de tsiou, cerveja de painço, que era oferecida aos ancestrais.

Em 1.730 a.C. foi escrito no Império Mesopotâmico, o  Código de Hamurábi, onde um de seus artigos previa que o cervejeiro que produzisse uma cerveja intragável, seria condenado a morte por afogamento na sua própria bebida. Outro artigo, previa que a venda de cerveja deveria ser paga apenas com grãos de cereais.

Na sociedade babilônica o cervejeiro era um homem de reputação, dispensado do serviço militar sob a condição de suprir o exercito com sua cerveja. Nos bordéis as prostitutas produziam sua própria cerveja para darem aos clientes. Um provérbio da babilônia dizia: "Coma o pão, pois este pertence à vida; beba a cerveja como um costume de vida."

3.400 a.C. o mais antigo registro de uma cervejaria foi encontrado em Tebas (Egito), nessa época eram fabricados dois tipos de cervejas, "cerveja nos notáveis" e "cerveja de Tebas". Acreditava-se que 1.300 anos antes da construção da Esfinge, Osíris - Deus da Mitologia egípcia já produzia sua cerveja. Porém o grande centro produtor de cerveja da história foi a cidade de Pelesium (atual Port-Said), no Egito. Nessa época os egípcios produziam uma cerveja com o nome de zythum. As suaves eram destinadas aos pobres, já as aromatizadas com gengibre, tâmara e mel, ficavam para os nobres. Eles ainda utilizavam essa bebida em banhos, para tratamento da pele e ainda era indispensável em cerimônias fúnebres. Ainda consta que os egípcios gostavam tanto da bebida que seus mortos eram enterrados com algumas jarras cheias de cerveja

Os gregos conheceram a cerveja dos egípcios que por sua vez passaram o conhecimento aos romanos, mas a bebida não era considerada boa e só era recomendada para tratamento médico, pelo Pedáneo Dioscórides - fundador da Farmacognosia.

Como os gregos e romanos eram povos conquistadores e não gostavam de cerveja, gerou uma influência negativa da cultura cervejeira pelo mundo a fora. Isso fez da cerveja uma bebida mais barata e consumida entre os pobres e bárbaros.


Difusão da Cultura Cervejeira

Romanos

Mesmo com a rejeição da cerveja, em Roma, a bebida passou a ser bem popular, principalmente por causa do seu baixo preço. Por isso a bebida passou a gerar problemas de inflação e de suprimentos, fato que fez, com que o Imperador Romano, Tito Flávio Dominicano (51-96), proibisse o cultivo de vinha em terrenos onde pudessem ser semeados cereais.

"Em 49 a.C., Júlio César, ao atravessar o Rio Rubicon, depois de mais uma conquista, brindou suas tropas com cerveja."

Trácios

Outro ponto de difusão da cerveja através da Mesopotâmia, se teve graças aos trácios, povo que dominava um território que hoje abrange: Trácia, Bulgária, Romênia, Moldávia, partes da Grécia, Macedônia, Sérvia e Turquia.  Para esse povo a cerveja era considerada sagrada e acredita-se que tenha influenciado também os povos germânicos e celtas, devido aos movimentos migratórios.

Celtas

Os povos celtas habitaram boa parte da Europa, que hoje são: França, Portugal, Espanha, Bélgica, Inglaterra, Escócia e Irlanda. Eles foram muito importantes, exatamente por terem desenvolvido novas receitas e técnicas de fabricação de cerveja.

Plínio, o Velho autor romano, escreveu em Naturalis Historia, sobre celtas fazendo cerveja na Gália (França) e Galícia (Espanha), foi exatamente na Galícia que a bebida recebeu o nome que falamos hoje:cerevisia ou cervisia, em homenagem a Ceres, deusa da colheita e da fertilidade. A bebida consumida era alcoólica, fermentada a partir de cevada, ou de outros cereais, era aromatizada com mel e maturada em ânforas de barro ou em tonéis de madeira. Nessa época não se utilizavam ainda o lúpulo.

Nos quadrinhos de Asterix, o Gaulês (personagem criada em 1959 na França por Albert  Uderzo e René Goscinny), cerevisia é constantemente citada como a bebida do dia-a-dia.


No ano de 301 o imperador Valério Dioclesiano (245-313), publicou o Edictum de Pretiis Rerum Venalium, que limitava os preços do trigo, cevada e da cerveja, além de outros produtos. Nessa documento já se fazia distinção entre cerivisia da Gália e zythos do Egito.

Durante o primeiro milênio da era cristã, os celtas e germânicos eram os povos que mais produziam e consumiam cerveja, a mesma era considerada sagrada, era uma recompensa aos heróis e uma oferenda aos deuses.

Outros Povos

Vários outros povos como: (escandinavos, asiáticos, africanos e os primitivos da américa) já faziam bebidas fermentadas a partir de cereais, que podemos considerar como cerveja.


Nesse período a cerveja tinha valor nutricional muito forte, muitas vezes servia como água, pois a mesma nem sempre era potável, e também era servida como remédio, misturando nela algumas especiarias.


 

Referência Bibliográfica:
Larousse da Cerveja

Written by André Costa, Posted in História

18July

Idade Média

Até o início da Idade Média, a produção de cerveja era uma atividade apenas caseira, que era dirigida principalmente para a família e era realizada pelas esposas.

Os mosteiros foram os responsáveis pelo início da produção em alta escala. A partir do século IV os monges irlandeses Columbano (São Columbano) e Galo (São Galo), fundaram pela Europa vários mosteiros com capacidade de produção em escala de cerveja. Entre eles podemos citar Abadia de Sankt Gallen, na Suíça e Abadia de Bobbio, na Itália, na qual foi inspirado o filme O Nome da Rosa.

"É meu desejo morrer em uma cervejaria. Que coloquem cerveja em minha boca quando eu estiver expirando, para que o coro de anjos entoe: "Deus seja condescendente com esse bebedor." - São Columbano"

Devido ao conhecimento, os religiosos se tornaram os primeiros a estudar a cerveja, além de desenvolverem técnicas avançadas de produção, receitas secretas e armazenamento, entre elas, podemos citar a conservação/armazenamento a frio da cerveja.

As cervejas produzidas, eram destinadas aos monges e aos pobres, e vendida aos peregrinos e camponeses. A igreja católica durante este período, sempre esteve relacionada a história da cerveja. Prova disso, que além dos mosteiros com cervejarias, tinhamos também Casas Episcopais e Catedrais tinham envolvimento tanto em consumo quanto em fabricação de cerveja. Temos por exemplo a Catedral de Estrasburgo (França), que possui registros de produção de cerveja para atividades festivas no século X.

"Os administradores das cervejarias devem garantir que os funcionários mantenham suas mãos limpas por questão de higiene. - Art. 34 do Capitulare de Villis, de Carlos Magno (século VIII)"

O Imperador Carlos Magno, contribuiu para consolidação da cerveja como mercadoria e como atividade econômica. O Capitulare de Villis, dizia entre outras coisas, que os cervejeiros eram conhecidos como artesãos especializados na fabricação de cerveja. Seu império era organizado em vários estados, onde cada um tinha que conter como estrutura: igreja, padarias, comércios, estábulos, celeiros e cervejarias. Isso incentivou a criação dos mosteiros, além de deixar a cerveja mais popular.

A atividade cervejeira foi especializada e servia como um complemento para a renda familiar, eram feitos em períodos e épocas esporádicas, porém os cervejeiros foram se unindo, criando novas técnicas, melhorias  que fizeram grande diferença na qualidade e produtividade. Esse movimento que aconteceu entre a Era Medieval e a Renascença, pode ser considerada como o primórdio da industrialização da cerveja.


Referência Bibliográfica:
Larousse da Cerveja

Written by André Costa, Posted in História

18July

Reinheitsgebot - Lei da Pureza

A Reinheitsgebot (lei da pureza da cerveja) foi uma lei promulgada pelo Duque Guilherme IV da Baviera, em 23 de abril de 1516.

A Lei da Pureza da Cerveja instituiu que a cerveja deveria ser fabricada apenas com os seguintes ingredientes: água, malte de cevada e lúpulo (a levedura da cerveja não era conhecida à época).
Ele constitui um dos mais antigos decretos alimentares da Europa.

A lei em português:
"Proclamamos com este decreto, por Autoridade de nossa Província, que no Ducado da Baviera, bem como no país, nas cidades e nos mercados, as seguintes regras se aplicam à venda da cerveja:
De Michaelmas a Georgi, o preço para um Litro ou um Copo, não pode exceder o valor de Munique do pfennig.
De Georgi a Michaelmas, o Litro não será vendido por mais de dois pfennig do mesmo valor, e o Copo não mais de três Heller (Heller geralmente é meio pfennig).
Se isto não for cumprido, a punição indicada abaixo será administrada.
Se todo cervejeiro tiver outra cerveja, que não a cerveja do verão, não deve vendê-la por mais de um pfennig por Litro.
Além disso, nós desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para fabricação da cerveja devem ser cevada, malte e água.
Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja, sem falha.
Se, entretanto, um comerciante no país, na cidade ou nos mercados comprar dois ou três barris da cerveja (que contém 60 litros) para revendê-los ao vendedor comum, apenas para este será permitido acrescentar mais um Heller por Copo, do que o mencionado acima. Além disso, deverá acrecentar um imposto e aumentos subseqüentes ao preço da cevada (considerando também que os tempos da colheita diferem, devido à localização das plantações).
NÓS, o Ducado da Baviera, teremos o direito de fazer apreensões para o bem de todos os interessados."

Guilherme IV Duque da Baviera

História:
Foi em 1906 que o Reinheitsgebot se estendeu a toda a Alemanha, apesar das críticas da indústria da cerveja.
Após a Segunda Guerra Mundial, o decreto foi modificado e incorporado à regulamentação federal para a taxação da cerveja (Biersteuergesetz).

  • nas cervejas de baixa fermentação foram autorizados o malte de cevada, o lúpulo e a água.
  • nas cervejas de fermentação elevada foram autorizados, além disso, os maltes de outros cereais bem como um número limitado de açúcares e corantes.

Por último, maior liberdade foi deixada às cervejas destinadas à exportação.

Dias de Hoje:
Devido à regulamentação européia, outros ingredientes são autorizados nas cervejas alemãs, mas a maioria dos cervejeiros alemães continuam a seguir as prescrições do Reinheitsgebot, consideradas garantia de qualidade.

Written by André Costa, Posted in História

10August

Zoiglbier - A história continua

Texto produzido por Alexandre Bazzo da Cervejaria Bamberg

Zoiglbier é um estilo de cerveja, ou melhor, uma forma de produzir cerveja que por sua vez deu base a este estilo, ainda encontrado no leste da Bavária, indo da Francônia, passando pela Oberpfalz, até a fronteira com a Republica Tcheca.
 
No passado as pessoas que tinham o direito de fazer cerveja colocavam na porta da sua casa uma estrela de 6 pontas, parecida com a estrela de David, e no centro dela uma caneca de cerveja.
 
Cada ponta de um dos triângulos representa a água, terra e fogo; já o outro triângulo representa a água, o malte a o lúpulo, na época não se conhecia o fermento.
 
Normalmente a comunidade tinha um local onde era usado por todos os cervejeiro pra fazer o mosto e então este era levado para a casa onde era fermentado e depois maturado, daí vendia-se esta cerveja e enquanto tinha-se produto pra vender a estrela era mantida na frente da casa.  
 
Esta tradição de fazer cerveja em lugares compartilhados vem desde a era medieval e atravessou séculos até chegarmos nos dias atuais onde a Zoiglbier vem retomando um renascimento e a busca pela sua origem
 
Estes locais de vendas não eram bares, nem abriam em horários comerciais, a Zoiglbier não era vendida em bares, o horário era pré determinado, daí colocava-se a estrela pra fora da casa e começava a venda em uma sala onde o dono da casa utilizava para este fim.
Atualmente é muito difícil achar um local que produza Zoiglbier, temos algumas vilas que a produzem, mas mesmo assim as informações não chegam com muita facilidade ao turista, são elas: Eslarn, Falkenberg, Mitterteich, Neuhaus e Windischeschenbach, provavelmente tenhamos outras nesta região.
 
A cerveja as vezes varia muito de uma casa para outra, mas em geral elas são escuras, marrom e predominância de malte, o lúpulo esta presente apenas pra equilibrar com o malte, o teor alcoólico gira em torno de 5,0% e é claro que são de baixa fermentação.
 
O leste da Bavária é uma região que ficou isolada por muitos anos, por fazerem fronteira com a antiga Checoslováquia, pouco explorada por turistas, mas para os amantes da cerveja pode ser uma rota fenomenal, saindo da cidade de Bamberg e chegando até Pilsen, uma rota de 250km com excelentes estradas e com boa possibilidade de conhecer várias casas que produzem o estilo Zoiglbier durante a rota.

Written by André Costa, Posted in História